Fundador

JÚLIO CHEVALIER – UM CORAÇÃO MISSIONÁRIO

Padre Julio Chevalier
Fundador

Muito já se escreveu sobre o Padre Júlio Chevalier, fundador da família religiosa dos missionários do Sagrado Coração: o contexto ócio-político da França, país onde ele nasceu, sua infância pobre e sua luta para entrar e se formar no seminário, seus estudos teológicos seu encantamento pela descoberta da devoção ao Coração de Jesus, seus primeiros nos de atividades pastorais e, finalmente, sua nomeação para a cidadezinha de Issoudun, no Berry, lá onde ele iria concretizar o sonho de sua vida, iniciar uma obra missionária.

Mas, nestas linhas, gostaria de falar e um fato importante nos primórdios da congregação, importante e pitoresco, que mostra bem a determinação e a astúcia de Júlio Chevalier. Refiro-me à decisão de assumir missões “ad gentes”, missões entre os pagãos, nos mares do Pacífico, nas lonjuras da Nova Guiné.

Acontece que, além dos riscos da missão, a Congregação estava começando, tinha poucos membros, de modo que ele, Padre Geral e presidente do Conselho, era voto vencido quando se tratava do assunto. Roma já fizera um convite formal, o Padre Júlio Insistia, mas nada… E aqui entram então a santa astúcia, a manha e a sagacidade do fundador. Ele entra em contato com o Padre Jouet, nosso Procurador, em Roma, e pede-lhe que se dirija ao cardeal Simeoni, Secretário da Propaganda Fidei, solicitando-lhe uma carta com um convite expresso do Santo Padre, Papa Leão XIII, confiando-nos a missão na Nova Guiné.

Algum tempo depois, chega a tão aguardada missiva e o Padre Chevalier convoca a maior naturalidade do mundo, põe-se a ler a carta vinda de Roma. Terminada a leitura, passa a comentá-la, enfatizando que se tratava de uma quase intimação do Santo Padre. E arremata, mostrando uma providencial coincidência: a data da carta era 25 de março! No dia da festa da Anunciação, dizia ele, dia em que a Virgem dera o seu “Fiat” ao anjo, como nós, seus filhos, íamos negar o nosso SIM à convocação do Papa? O silêncio eloquente do Conselho foi a prova cabal da unanimidade…

A novel Congregação mostrava e chancelava naquele momento o seu DNA missionário, singrando mares e se embrenhando pelos ermos da Papuásia, onde nossos confrades mourejam há mais de 130 anos, em jornadas de evangelização que deram à Igreja missionários da envergadura de Mons. Navarre, Mons. Verjus e Alan de Boismenu… Com essa incumbência de anunciar o evangelho”por toda parte”, entre as mediações de nosso apostolado, tem singular importância a educação da juventude, concretizada na direção de colégios, onde procuramos, à luz do evangelho, “educando corações novos para um mundo novo”.

Que o Senhor, pela intercessão de Maria, a quem chamamos Nossa Senhora do Sagrado Coração, nos ilumine e fortaleça nessa delicada missão.

Padre Humberto Capobianco, msc.